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4 BANs na Twitch para refletir

A Twitch não tem dó: desde streamers menos conhecidos até Neymar podem ser banidos sem advertência prévia. Os motivos na maioria das vezes não são explicitados pela plataforma, e a experiência e o conhecimento dos banimentos levam ao maior policiamento dos streamers que possuem canal na Twitch. No entanto, existem ocasiões em que nem uma atenção ou cuidado bastam para evitar o ban. Trouxemos 4 casos para refletir sobre as diretrizes da plataforma: será que são demasiadamente rígidas? Ou será um guia para a manutenção de uma comunidade menos tóxica? 

  1. Taynah Tayhuhu

Em outubro de 2020, a streamer e pró player de Valorant, “Tayhuhu”, foi banida da Twitch. O motivo: havia ido buscar o delivery de comida no meio de uma stream, quando sua filha de 3 anos de idade apareceu na live.  

A pró player levou ban por tempo indeterminado, o que fez a comunidade se mobilizar. Nomes como Fallen, Tixinha e Melão se pronunciaram contra a Twitch, exigindo maior cuidado e análise em relação aos banimentos.  Muitos streamers dependem da renda possibilitada pela Twitch, e com “Tayhuhu” não é diferente.  Além de sustentar financeiramente seus familiares, cria sua filha pequena de 3 anos enquanto busca conciliar com as quase 7 horas de stream diárias.

Após a mobilização da comunidade – que chegou a tomar proporções internacionais – a Twitch removeu, no dia 21 de dezembro, o banimento de “Tayhuhu” que durou mais de 3 meses.

  1. Pimpimenta, Yoda, Jukes e Cellbit
Pimpimenta, Yoda e Jukes, pró players e streamers de LoL, tiveram contas banidas por alguns dias por proferirem a palavra “mongoloide”

Todos os casos – exceto o de Cellbit – resultaram em ban pelo uso da palavra “mongoloide”. A Twitch possui uma política rigorosa de fiscalização, principalmente das palavras que podem ser consideradas ofensivas.  Por ser uma plataforma mundial, determinadas palavras tidas como racistas fora do Brasil são dignas de banimento: é o caso de “mongoloide”, palavra frequentemente utilizada para insultar pessoas com alguma deficiência ou também como sinônimo de “imbecil” ou “idiota”. O problema é que as origens desse termo são capacitistas e racistas. 

Quando, em 1886, o médico inglês John Langdon Down descobriu a condição que hoje chamamos de Síndrome de Down, comparou as semelhanças faciais das populações descritas como a “raça mongol” (aquele que nasce na Mongólia). A pedido da República Popular da Mongólia, em 1965, a Organização Mundial da Saúde substituiu o termo “idiotice mongol” por síndrome de Down ou trissomia do 21.

A grande parcela da população desconhece a gravidade das raízes de determinadas palavras ou expressões, e a desinformação acaba levando ao banimento, sem a existência de uma advertência prévia. Hoje, no entanto, os streamers estão cautelosos e buscam se policiar, até mesmo em situações que não se têm controle, como é o caso de Cellbit.

Cellbit estava transmitindo uma gameplay de Cyberpunk, quando se deparou com uma personagem que utiliza a palavra proibida. Ao perceber, o streamer imediatamente mutou o jogo, para não correr o risco de ser banido – mesmo que a palavra fosse proferida por Cyberpunk, e não por ele.

Cellbit se desespera ao perceber que poderia levar ban devido à fala de uma personagem no jogo Cyberpunk (Reprodução: Streamer Clipes Br)
  1. Neymar

Não são apenas xingamentos e uso de expressões preconceituosas que podem levar ao ban. Neymar, atacante do PSG e aventureiro no mundo dos eSports, foi banido em outubro de 2020 por ter divulgado, sem querer, o número de telefone do jogador Richarlison. Ambos levaram a situação na brincadeira, mas a Twitch não: o canal de Neymar (neymarjr) saiu do ar por 7 dias.

Neymar grava vídeo para o Story do Instagram, em tom de zombaria junto com Richarlison (Reprodução: Twitter @memesneymar)

  1. Lindinho / Deercherup / VI4DINHO

Aqueles que acompanham a Rinha de Pratas, organizada por Gaules,  conheceu VI4DINHO, prata que ficou famoso por ter caído nas graças do maior streamer brasileiro.  Seu nickname quando participava das primeiras rinhas de prata era VI4DINHO, e assim criou a sua fama. O problema surgiu quando Lindinho – novo apelido que Gaules criou para VI4DINHO, para que pudesse realizar as transmissões sem problemas com as diretrizes – fez seu canal na Twitch. Em maio de 2020, Lindinho foi banido da plataforma devido ao nick ofensivo, e retornou como Deercherup.

Deercherup / Lindinho se retrata em relação ao banimento (Reprodução: Instagram @deercherup)

Gaules comentou sobre o caso, e se posicionou: “Você tem que entender que muitas vezes você precisa ter um guia, um norte. [A Twitch] é uma empresa privada e ela precisa zelar por algumas coisas (…) Hoje a Stream, o entretenimento, a criação de conteúdo não pode mais ser só brincadeira, tem que ter responsabilidade.”

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