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Argentinos x Brasileiros no CS:GO

 Se você, brasileirinho ou  brasileirinha, já caiu em server só com os argentinos – ou, carinhosamente, “hermanitos” -,  então sabe da dificuldade de comunicação e o estresse gerado na partida. As farpas no chat começam no aquecimento: “Pelé é melhor que Maradona”, ou “River es mejor que Palmeiras” são as cutucadas leves, até partirem para ataques xenofóbicos – por parte dos brasileiros – e racistas – por parte dos argentinos. Não é incomum que 4 brasileiros decidam “kickar” 1 argentino, ou vice e versa.

No texto de hoje, exploraremos alguns dos motivos para essa rivalidade, que muitas vezes prejudica a fluidez e a comunicação do time.

  1. A barreira linguística

O Brasil é o único país da América do Sul em que se fala português e não espanhol. Todos os países do continente dividem os servidores, o que resulta na presença de argentinos, peruanos ou chilenos nos servidores brasileiros – ou brasileiros em servers vizinhos. O CS é um jogo que envolve sobretudo comunicação entre a equipe, e calls em idiomas diferentes certamente atrapalham o bom desenvolvimento da partida. Por mais que espanhol e português tenham suas semelhanças, existem palavras bastante distintas: silla é cadeira, canilla é torneira, ventana é janela,  ruta é rua, fosa é bunker, cielo é céu… 

Fórum da Steam mostra as posições em espanhol, com tradução de palavras específicas para o português (Reprodução: Steam)

  1. Rivalidade histórica, xenofobia e racismo

Não bastasse a dificuldade de comunicação, brasileiros e argentinos possuem um histórico de tensões. Quando eram colônia de Portugal e Espanha, disputaram a região do Prata e desde então buscam a hegemonia regional; a visão que os argentinos possuíam do Brasil era de que aqui era um país “pobre e de negros”. Por mais que hoje a Argentina reconheça o Brasil como um país de peso, os clichês e os preconceitos permaneceram. Culturalmente, isso se reflete em grandes rivalidades esportivas, como é o caso do futebol – não à toa, as farpas entre jogadores de CS envolvem as disputas entre jogadores de futebol argentinos e brasileiros.

Além disso, como reação à animosidade e o racismo de parte dos argentinos contra os brasileiros, acabamos incitando a xenofobia. Colocamos todos os hispano-falantes como se fossem argentinos – mesmo que peruanos, chilenos ou uruguaios também falem espanhol – e ainda os denominamos de “boludos” ou “pelotudos”, termo pejorativo que significa “idiota” ou “imbecil”.

Trecho de vídeo do Youtuber “Cachorro1337” que expôs situações de racismo em partida com argentinos (Fonte: Canal Cachorro 1337)

  1. Ping alto

Se a rivalidade já é um pretexto para começar a partida de cara virada, acrescente o ping alto por jogar em servidor distante: são 3 grandes servidores na América do Sul, e mais 4 na América do Norte. Ao cair em servidor de país vizinho, é comum que a jogabilidade fique afetada pela elevação do ping, uma vez que a transmissão de informações fica lenta.

Servers de CS:GO pelo mundo (Reprodução: Gamebanana)

  1. No cenário do CS profissional

Se o cenário do Match Making não é muito favorável ao relacionamento BR x ARG, o contexto do CS profissional se mostra mais promissor. Tornar-se pró player no Brasil não é fácil, mas nos países vizinhos o desafio é muito maior. Dessa forma, em busca de investimento e participação em campeonatos, times da América do Sul procuram o Brasil para crescerem. O time argentino Agressive, por exemplo, estava buscando no começo de 2020  “comida, seis camas e seis computadores, além de uma organização que possa pagar nossas passagens da Argentina e do Chile para o Brasil”, conforme declarou “Big” em entrevista ao Globo.

A brasileira Sharks já teve em sua line jogadores argentinos como Luken e Meyern, que também fez parte do MiBR em 2020.

O argentino Meyern fez parte do elenco de equipes brasileiras de CS:GO (Reprodução: HLTV)

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