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CS Universitário e seus desafios

Caio ‘clive’ Kojima na Liga de Universitária de eSport (LUE) em 2019

São Paulo, 19 de março de 2021 – Conforme acontecem a profissionalização e a valorização dos esportes eletrônicos, acontecem também maiores incentivos em todas as áreas que tangenciam a modalidade, como é o caso das Ligas Universitárias. Hoje entrevistamos Caio ‘clive’ Kojima, integrante do time Poli Plague (USP) desde 2018.

Como você chegou no time da sua faculdade?

Eu já praticava CS desde pequeno, sempre por hobby. Quando ingressei na POLI, em 2018, descobri que existia um time da faculdade, a POLI Plague. Pensei, “nice, nunca estive em um time, nunca achei que poderia participar de um grupo por jogar CS”. O que mais me interessava era poder representar a minha faculdade diante do cenário universitário do Brasil inteiro. A Plague era, dentro da USP, o time mais antigo, e ainda assim era algo muito recente, coisa de ter começado em 2017. Já os primeiros campeonatos universitários mais relevantes começaram em 2016, com o TUES. Então todo o cenário de esports universitário era muito jovem comparado a diversas outras modalidades ditas como “mais tradicionais”.

Como está o cenário hoje?

Em 2018 existiam apenas 2 ou 3 campeonatos por ano. Participei bem pouco porque assim que cheguei, já existia uma line formada da POLI – e ainda era uma panela. Estava mais como reserva, como um complete de treino. Já em 2019, entrei de fato pro time e ao mesmo tempo vi um grande crescimento de campeonatos. Foram 5, o que considero pouco, mas ainda assim foi um crescimento comparado aos anos anteriores.

Em 2020 tiveram muitos campeonatos universitários. Fiquei abismado de como o cenário se desenvolveu em tão pouco tempo. Acredito que isso se deve muito à cultura dos calouros que entram. Essa geração que tá entrando agora na faculdade aparentemente tem muito mais gamer, jogador de CS e Valorant por exemplo. Sinto que cada vez mais esses jogos estão sendo difundidos, e isso se reflete no cenário universitário.

Como é a rivalidade entre as faculdades? Existem problemas com regulamentos?

Existe rivalidade principalmente entre times maiores. No ano passado, PUC SP, Pato Branco e Mackenzie eram os times mais top. Sobre isso, houve algumas polêmicas no ano passado. Teve uma época em que a PUC unificou o time: eles pegaram todos os melhores jogadores da PUC do Brasil inteiro e acabaram formando um dreamteam. A mesma coisa aconteceu com o Mackenzie, em um torneio em que a GC acabou abrindo essa brecha no regulamento. Isso não é ilegal, mas normalmente os campeonatos determinam que os jogadores ou precisam ser da mesma faculdade, ou do mesmo campus. Nesse campeonato em específico da GC não houve essa regra, e muitos times menores acabaram sendo derrotados por esses times formados por coligação do Brasil inteiro.

Tem pro player no circuito universitário?

Vinicius ‘fluyr’ Menegatti, que hoje é pro player de Valorant, jogou com a gente pela Plague em 2018. Ele era antes pro player de CS e fez muito sucesso com o Gaules na época. Tem também o Tuurtle, pro player que jogava pela DETONA, e também era estudante da PUC SP. Acho que o Ricioli começou na universitária e depois virou pro player também, e acabou entrando para a Liga Desafiante.

Fluyr, ex pro player de CS GO e hoje streamer e jogador de Valorant, fez parte do time POLI Plague em 2018

O que você acha que precisa melhorar no cenário do CS Universitário?

Tem certas coisas que são difíceis de exigir, porque o universitário tem suas restrições. Por exemplo, a questão da rotatividade: na POLI, por exemplo, o player que se dedica mesmo fica no máximo 2, 3 anos, porque alguma hora esses jogadores se formam e saem da universidade. Então nunca tem uma line fixa, porque todo ano sai gente e entra gente. Para mim, isso é o maior limitador, mas não impede de criar times fortes e sólidos. 

Ainda falta um pouco de profissionalismo também, no sentido da dedicação. Consigo ver que isso tá melhorando, mas sinto falta. Quando eu treino baseball pela POLI, percebo que os esports no geral são deixados de lado comparado com essas outras modalidades. As atléticas, até o ano passado, negligenciavam muito os esports, mas sabemos que pela pandemia, os únicos eventos universitários que puderam continuar foram justamente os campeonatos de esporte eletrônico, transmitidos pela Twitch. 

Participantes da POLI Plague no eTUSCA, jogos universitários que ocorrem em São Carlos, em 2019

O que você acha que o CS Universitário tem a acrescentar no cenário do CS como um todo?

Estava falando sobre isso com um amigo, o tr1n, e ele defende que se o cenário universitário fosse melhor fomentado, talvez saíssem mais pro players daqui. Não sei se eu concordo. Eu vejo o cenário mais como um anexo do CS. É como qualquer outro esporte para atlética. Não necessariamente estou contribuindo para o baseball quando pratico esse esporte pela faculdade, mas é algo que o estudante gosta de fazer, seja para representar a camisa da faculdade, seja para criar novos círculos sociais. Então não acredito que o CS Universitário precise de uma finalidade, acho que ele é um fim por si próprio.

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