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O sonho que virou realidade: a história de Dadinho #GameChangers

Meu nick sempre foi Dadinho, mas meu nome é Michael Queiroz. Sou nascido e criado em Recife e há 2 anos me mudei para São Paulo, quando tinha 22. Hoje em dia sou profissional de PUBG Mobile pela Honored Souls – mas a minha trajetória tá cheia de pedras no caminho.

“Quando eu tinha 14 anos, tive que começar a cuidar da casa e dos meus irmãos menores sozinho”

Até os 18 anos, só jogava CS pelo PC. Jogo no computador desde os 9 anos, e meu sonho sempre foi ser pro player de Counter Strike. Mesmo sabendo que tinha chance e capacidade, a gente sabe que no Brasil é difícil ter incentivos para quem quer seguir no cenário profissional, e em Pernambuco é mais ainda. Todos os servidores eram em São Paulo, então eu sempre sentia que estava jogando em condições prejudicadas comparado ao pessoal que tá na capital.

Algumas coisas marcaram a minha vida e tive de ter muitas forças e resiliência para passar por cima desses obstáculos. A primeira dificuldade foi a separação dos meus pais. Isso mexe muito com a nossa cabeça, porque é um acontecimento que impacta nos seus valores e no seu bem estar. A outra coisa foi ter de cuidar dos meus irmãos menores quando tinha 14 anos. Meus pais foram para o exterior em busca de melhores condições financeiras para a família e nesse momento tive que começar a cuidar da casa e dos 3 irmãozinhos sozinho. Foi difícil, mas hoje reconheço que foi essencial para a formação do meu caráter.

“Saí com 100 reais e passei a morar na rua (…) Sonhava todos os dias em voltar e nunca deixei de acompanhar o cenário de PUBG”

Com 18 anos conheci o mundo do PUBG Mobile. Até a temporada 3, o jogo rodava, mas com as atualizações foi ficando cada vez mais pesado para o meu celular; era desmotivador jogar contra gente que tinha aparelhos muito melhores que o meu e não conseguir render. 

Meus pais não apoiavam o meu sonho de ser pro player. Eu compreendo eles. Eu não estava trazendo um retorno financeiro e também tem o fato de que jogos eletrônicos são coisa nova – e meus pais são velhos. Chegou um ponto que as coisas apertaram em casa e eu não tinha como conciliar treinos de PUBG com um trabalho integral. Junto disso, acabei tendo um problema sério com um dos meus pais e tive de sair de casa. Saí com 100 reais e passei a morar na rua, mais especificamente na Mata de Brennand.

Com o dinheiro, conseguia comprar bolacha de água e sal para me alimentar – aqui em São Paulo o pessoal chama de biscoito, mas é bolacha, pronto. Tinha fonte de água na mata e podia me alimentar de mangas e acerolas. De noite era frio e não tinha coberta; é horrível você dormir inseguro e acordar com formigas andando no seu rosto, junto de um sol de rachar. Sonhava todos os dias em voltar e nunca deixei de acompanhar o cenário de PUBG,

Essa fase me fez amadurecer de várias formas. Não tenho vergonha de falar disso.

Depois de alguns meses na mata, voltei para a casa da minha mãe. Assim que retornei, um amigo me avisou que a INTZ estava formando uma equipe de PUBG Mobile. Eles sabiam que eu era bom, pois tinha uma boa reputação das Seasons 1, 2 e 4. Era um tiro no escuro a equipe apostar em mim, já que eu estava há muitos meses parado e não tinha um aparelho para jogar. Falei com Deus e o mundo para que fosse possível, até que um amigo da Season 1 enviou um IPad para que eu pudesse jogar. Isso abriu as portas para que eu voltasse no competitivo.

Depois da INTZ, passei por outros times. Fui bi-campeão das Américas PMPL, campeão brasileiro PMCO e vice-campeão mundial. Hoje estou realizado na Honored Souls e consigo sustentar a minha família, que passou a me apoiar no meu sonho. 

“Tudo que é bom, é difícil de conquistar”

Demorei 10 anos para realizar meu sonho e me concretizar no cenário profissional;  quando achei que não tinha mais jeito, veio alguém e me estendeu a mão. Tudo que é bom, é difícil de conquistar. A dificuldade existe e às vezes parece não ter fim, mas, no final, vale a pena.

 

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