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Radicais Livres e Performance

Por Cris Moraes, Ph.D. e José Henrique Bomfim, Ph.D.

 

A todo momento, nosso organismo está sujeito a situações de estresse físico e mental. Esse estresse acaba abalando o equilíbrio entre as células do nosso corpo, principalmente devido à exposição e produção de agentes químicos chamados radicais livres.

Os radicais livres são moléculas químicas altamente reativas produzidas nas células quando há um alto gasto de energia ou devido a outras situações, como os maus hábitos alimentares e exposição a agentes tóxicos. Essas moléculas abalam todo o organismo, podendo desencadear doenças crônicas e neurodegenerativas (demência, Alzheimer, Parkinson) e reduzir nossa capacidade de realização de tarefas. Chamamos esse abalo no equilíbrio do organismo de estresse oxidativo. Ele ocorre devido à produção excessiva dos radicais em nossas mitocôndrias e à redução da nossa capacidade em eliminá-los, alterando o funcionamento normal dessas estruturas nas células. 

Atividades que exigem alto gasto calórico (exercício físico, função cerebral) costumam induzir ao estresse oxidativo. Em longos períodos jogando, por exemplo, há um grande consumo de energia e isso promove o aumento do estresse oxidativo, que é um dos grandes vilões na redução de nossa capacidade mental, levando o indivíduo à fadiga e redução da performance no geral. Portanto, devemos buscar o equilíbrio ideal no organismo para tentarmos reduzir os danos do estresse oxidativo. 

Os pilares centrais de um bom equilíbrio são os bons hábitos alimentares, sono adequado e a prática de atividade física. Além disso, sabemos que diversos nutrientes podem promover efeitos protetores em nossas células e, cada vez mais, a ciência estuda formas de utilizar estes nutrientes para garantir o equilíbrio no organismo, melhorar as respostas imunológicas e performance física e mental.

A suplementação com nutrientes e compostos bioativos é uma grande aliada no reparo do equilíbrio do nosso organismo. Além dos benefícios já bem estabelecidos das vitaminas (A, C, E, K, Complexo B) e minerais (selênio, zinco, cobre, magnésio, manganês), algumas classes de compostos têm sido estudadas por seus efeitos voltados à cognição, memória, visão, reflexo e performance, devido ao papel antioxidante que promovem nas células, restabelecendo o equilíbrio mitocondrial e aumentando as ações defensivas do nosso organismo. 

Em destaque, temos os polifenóis (antocianinas, proantocianidinas, flavonoides, terpenoides), presentes em diversos alimentos, principalmente temperos como cravo, canela, alecrim, orégano, manjericão e diversos vegetais como  cacau, uvas, amoras; os carotenoides (astaxantina, betacaroteno, zeaxantina, luteína, licopeno), pigmentos que conferem as cores nos vegetais (amarelo, vermelho, laranja) e que são poderosos antioxidantes e essenciais para a visão; os ácidos graxos (ômega 3, TCM) que conferem neuroproteção; além de compostos isolados como o inositol, colina, fosfatidilserina, dentre outros. 

Os benefícios da utilização destes compostos na saúde neurológica, cognição, tempo de resposta, visão, neuroproteção e performance mental são amplamente relatados na literatura científica e, quando suplementados em conjunto, os efeitos se multiplicam e promovem ainda mais ganhos para o organismo. 

Em resumo, os compostos antioxidantes são essenciais para que possamos obter resultados benéficos na realização de tarefas, além de atuarem na prevenção de diversas doenças e regularem nosso sistema imunológico. Eis a importância de manter bons hábitos de vida e suplementar nutrientes durante as atividades que exigem mais do nosso organismo.

 

REFERÊNCIAS

 

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Published online 2020 May 25

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Link: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25933483/

 

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Link: https://www.hindawi.com/journals/bmri/2018/8584136/

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