Easter Eggs - A evolução nos Games - Overblog | Overclock

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Quem se aventura no mundo dos games provavelmente já encontrou alguns elementos um tanto quanto diferentes no jogo, sejam bugs, glitches e até mesmo piadas que os desenvolvedores incluem, às vezes por acidente, nas linhas de código do jogo. Uma classe muito específica desses “conteúdos adicionais” são os Easter Eggs, que podem ser imagens, textos ou até mesmo um conteúdo polido, geralmente referenciando algum outro jogo ou tema da cultura pop. Desde a sua primeira implementação, os Easter Eggs viraram uma parte vital dos principais lançamentos na indústria dos games, e levam as comunidades a explorar cada centímetro de jogo e código a fim de encontrar os segredos dos títulos que tanto amam. Hoje em dia, é raro achar jogos que não possuam nenhum tipo de Easter Egg: os segredos se incorporaram à identidade da indústria de jogos, crescendo em quantidade, sofisticação e complexidade. A HISTÓRIA DOS “EASTER EGGS” A origem dos Easter Eggs nas mídias digitais é praticamente impossível de ser estudada desde o começo. Apesar de ser possível traçar quando e como o termo começou a ser utilizado (de maneira geral, não apenas em video games, vide a matéria do jornal New York Times : https://www.nytimes.com/2019/08/08/technology/easter-eggs-tesla-google.html) , referências desse tipo de mídia existem até mesmo antes da origem dos jogos, dificultando para nós, escritores, conseguir a grande manchete do “primeiro Easter Egg nos jogos” ou até mesmo “a primeira empresa dedicada a botar Easter Eggs nos seus títulos”. Uma história famosa da origem do termo foi atribuída à mensagem do desenvolvedor Warren Robinett, uma das mentes por trás do grande sucesso da Atari na década de 80, que adicionou o texto “Created by Warren Robinett” (traduzido como “Criado por Warren Robinett”) no clássico Adventure do Atari 2600: Adventure. Anos depois, quando entrevistado, o americano contou que estava descontente com a política da Atari de não permitir que os desenvolvedores de jogos deixassem as suas “assinaturas” no jogo, temendo que outras empresas de software acabassem roubando seus empregados. A mensagem foi descoberta pela empresa apenas após o lançamento do jogo, quando Warren não estava mais na equipe da Atari e, surpreendentemente, a peça pregada teve efeito positivo. Steve Wright, o Diretor de desenvolvimento de Software, decidiu manter o texto no jogo, comentando que jogadores que achassem o segredo “estivessem como numa caçada de ovos de páscoa” e decidiu que futuros títulos da empresa passariam a ter mais “segredos” como a que Warren deixou. Assim como todas as artes, o vídeo game não deixa de ser uma obra do ser humano. Todo artista se utiliza de referências passadas e experiências vividas para criar sua própria arte; portanto, todas as obras contemporâneas tendem a exprimir traços de individualidade do criador. Dessa forma, se torna impossível encontrar o primeiro Easter Egg: o que mudou com o passar do tempo foi o fato de que os mistérios desses jogos se tornaram cada vez mais explícitos, desejáveis e intencionais. O “KONAMI CODE” Hoje em dia, quase 40 anos após a história do Atari 2600, os Easter Eggs têm a principal função de incentivar a exploração do jogo em que está inserido, sendo colocados intencionalmente pelos desenvolvedores para recompensar o jogador que explora cada detalhe e localização do título. Uma das histórias mais famosas sobre Easter Eggs foi resultado de um bug deixado pelo desenvolvedor de um jogo que teve desdobramentos em títulos da mesma empresa 30 anos depois. Up, Up, Down, Left, Right, Left, Right, B, A talvez possa soar familiar para simpatizantes do mundo gamer: essa sequência de comandos caracteriza o “Konami Code”. (Caso você tenha ficado curioso, tente essa sequência de comandos nos jogos da Konami, como Metal Gear, Castlevania ou Contra, e se surpreenda com a quantidade de conteúdo escondido por trás desse simples input.) Foi em Gradius, um dos títulos mais antigos da empresa, que os comandos ganharam importância.O jogo foi lançado em 1985 para as máquinas de Arcade e, um ano depois, para o console NES, e tinha uma proposta simples, muito similar ao clássico Space Invaders: o jogador controla uma nave e se move em um plano 2D atirando em outras naves num sistema de níveis em que a dificuldade gradualmente aumentava e upgrades para a nave eram desbloqueados ao longo do jogo. O desenvolvedor do título, Kazuhisa Hashimoto, durante a criação da obra, incluiu nas linhas de código uma espécie de trapaça, para que o debugging (retirar os erros, ou bugs) fosse facilitado. Bastava para o desenvolvedor reproduzir a sequência de botões no controle do NES para que a sua nave se tornasse praticamente imortal, ganhando vidas e os upgrades da nave,facilitando o encontro de erros no jogo. O grande problema (ou a grande sorte) é que, acidentalmente, essa mecânica não foi retirada do jogo após o seu lançamento, e não demorou muito para que os jogadores descobrissem e abusassem do código – quase como os clássicos Cheats da franquia Grand Theft Auto. Com a crescente popularidade da sequência de comandos, a Konami teve a excelente ideia de adicionar os inputs à identidade dos seus jogos, tornando o famoso Konami Code um Easter Egg comum em diversos outros títulos da franquia. Títulos mais recentes, como ‘Metal Gear Rising: Revengeance’, um clássico do PS3, reverenciam o DNA da empresa logo no menu principal do jogo: ao reproduzir a sequência de botões, todas as fases do jogo são desbloqueadas, além de duas novas opções de dificuldade. A CAÇADA “TRADICIONAL” Apesar da genialidade da Konami e toda a história por trás do “Konami Code”, a forma mais tradicional de Easter Egg se dá por referências a outras mídias que fizeram sucesso. Um dos exemplos mais notórios é a franquia Borderlands, desenvolvida pela empresa americana Gearbox Studios, e em especial o segundo título da franquia, onde os desenvolvedores incluíram dezenas de referências a filmes, memes da internet e até mesmo redes sociais. O que impressiona nos Easter Eggs em Borderlands 2 não é a sua quantidade, e sim a forma como eles se camuflam no ambiente proposto pelo jogo. Como exemplo, fica o questionamento para aqueles que já jogaram Borderlands: quando foi que você percebeu que o macaco gigante que te ataca com barris chamado Donkey Mong era, na realidade, uma referência ao Donkey Kong da Nintendo? Por outro lado, temos também jogos que não se baseiam nesse tipo de referência e preferem construir uma narrativa própria em torno do seu universo, escondendo as pistas para que os jogadores se comprometam a desvendar o mistério – na mais fiel imitação ao clube do Scooby-Doo – , como é o exemplo do GTA V, um título aclamado pela sua preocupação com os Easter Eggs. E, para você que está convencido de que nunca encontrou nenhum desses Easter Eggs, vale a pena revisitar jogos em busca da sensação boa de entender, por exemplo, o significado por trás de um anel com letras estranhas, enfiado em alguma fogueira num canto perdido do mapa. Boa caçada!
Por Megan Kirkby
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